quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O Outro Ser e a Humanidade



Crônica

O outro ser e a Humanidade
Ana Rosenrot

          Num mundo tão grande, cheio de responsabilidades e afazeres, muitas vezes deixamos de refletir sobre um ser muito importante em nossas vidas, alguém que nos faz rever nossos conceitos, abrindo caminho para novas experiências, mostrando que a realidade pode ser diferente daquilo que acreditamos como certa, como verdade irrefutável, nos fazendo rever, reavaliar, tomar coragem para romper opiniões pré-concebidas e com isso modificar as atitudes e criar uma transformação completa na existência? Mas quem é capaz de realizar algo tão extraordinário?
          A resposta é o outro.
          Isso mesmo, aquele que não sou eu, o que pensa e sente diferente, com pontos de vista e vivências próprias, o que geralmente mostra que estamos errados.
          O outro é incômodo, irritante, por isso estamos sempre na expectativa de encontrar e se relacionar somente com pessoas que acreditam e pensam como nós, os “grupos” fechados que criamos para nos manter sempre na zona de conforto, em completa segurança, longe de “ideias” ou “ideais” que possam afetar o equilíbrio íntimo que inventamos como forma de vida; portanto o outro representa o chato, o que atrapalha, o insuportável, o que devemos manter uma distância segura. Mas como é possível lidar com uma situação tão confusa como esta?
          Isso depende da visão de cada um, dos outros, do mundo à nossa volta e das relações humanas como um todo.
          Para esses questionamentos a palavra usada é Alteridade, pois alter significa outro e alteridade o ser, o colocar-se como outro; ao observarmos o outro percebemos a diversidade e a partir daí encontramos e comparamos as diferenças entre os seres.
          E então nos perguntamos: o correto é seguir, imitar exatamente o que os outros fazem? É mais fácil ser como todo mundo?Seguir um modelo de comportamento e pensamento?Será que os outros estão sempre certos e eu errado, ou todos estão equivocados e eu certo?
          Várias respostas podem ser datas para essas perguntas, mas todas levam inevitavelmente a uma conclusão: deixar de ser você mesmo.
          Vivemos atualmente num mundo muito diversificado, são centenas de crenças, estilos de vida, novas opiniões, conceitos, tudo muito moderno, amplo, renovado; é preciso manter a mente aberta para evitar o preconceito, para não acabar justificando erros e até delitos com o falso conceito de “todo mundo”, o que incentiva a impunidade; juntamente com a prática da alteridade é preciso pensar também na ética e na individualidade, é preciso raciocinar e racionalizar, medir consequências, aceitar a legitimidade do outro, suas posições, diferenças e aprender com suas experiências sem se esquecer das próprias.
          A vida é feita de escolhas sociais, pessoais, coletivas; observar a importância não somente do outro, mas do todo constitui o verdadeiro exercício da alteridade, que também é coragem, é responsabilidade é realização e libertação, pois quando encaramos a vida de forma global, tudo se torna possível, viável, coerente e principalmente humano.
          Alteridade também é humanidade.